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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Luz e trevas como assimetria ontológica




Credenciais do Investigador e Certificação de Autoria

AUTOR SÉNIOR: Carlos Correia
Estatuto Académico: Escritor com Obras Publicadas e Investigador Independente
Identificação Internacional: ORCID iD: 0009-0003-6988-625X
IDENTIDADE LABORATORIAL: FVSLAB Laboratory
Unidade de Engenharia: Computational Forensic Vision Unit (Unidade de Visão Forense Computacional)
Protocolo Ativo: FVSLAB SPECTRUM ANALYSER v6.0 (Varrimento Raster a 1 px)
REPOSITÓRIO CENTRAL DE DADOS: Registos OSF
Identificador do Nó Público: ID do Projeto OSF: 4kh2t
Indexação Global Permanente: DOI Geral: 10.17605/OSF.IO/VM4AH


Na leitura de João 1:5, “luz” e “trevas” não devem ser entendidas como entidades físicas equivalentes, mas como dois regimes ontológicos distintos.

A luz (φῶς) representa presença, inteligibilidade e estrutura — aquilo que torna o real perceptível e ordenado. As trevas (σκοτία) não constituem uma substância oposta, mas sim a ausência de tal estrutura: um estado em que não há informação acessível ou organização interpretável.

Nesta perspetiva, a relação entre ambos não é simétrica. A luz não “combate” as trevas como duas forças equivalentes; antes, a presença elimina automaticamente a condição de ausência, sem necessidade de interação ativa.

2. O verbo κατέλαβεν e a questão da “captura”

O texto grego utiliza o verbo κατέλαβεν (katélaben), que admite um campo semântico amplo:

agarrar

dominar

reter

compreender

Esta ambiguidade permite duas leituras complementares:

  1. as trevas não compreenderam a luz
  2. as trevas não conseguiram dominá-la ou contê-la

Ambas apontam para a mesma ideia estrutural: a ausência não possui capacidade de assimilação do princípio que a torna visível como ausência.

3. Uma analogia informacional (com limites claros)

Se utilizarmos a teoria da informação como metáfora interpretativa — e não como equivalência física — podemos dizer:

A luz corresponde a um estado de sinal: presença de estrutura interpretável.

As trevas correspondem a ausência de sinal: não um ruído, mas a inexistência de informação disponível.

Nesta leitura, não existe interação competitiva entre ambos. O “sinal” não é corrompido pela ausência; simplesmente, onde há sinal, a ausência deixa de ser definível como tal.

Importa distinguir rigorosamente:

ausência de sinal ≠ ruído

ruído = sinal degradado

trevas = inexistência de sinal

4. Síntese interpretativa

João 1:5 pode ser entendido como a afirmação de uma assimetria fundamental:

o princípio de inteligibilidade (luz) não é vulnerável ao domínio da ausência (trevas), porque a ausência não possui estrutura operativa para agir sobre aquilo que a transcende.

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