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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

ELOHIM EM GÊNESIS: A DIVINDADE ORIGINAL E O PROBLEMA DA AUTORIA MOSAICA

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O termo Elohim, presente em Gênesis 1:1–2:25, é traduzido literalmente como “Divindade”. Trata-se de um termo plural, usado para indicar plenitude, majestade e poder, mas que também tem raízes na divindade cananeia El. Este detalhe é crucial para compreender a autoria e o contexto do texto: Moisés jamais teria usado “Elohim”, pois ele conhecia pessoalmente o Criador pelo nome revelado na Sarça Ardente (Êxodo 3) como Ehyeh-Asher-Ehyeh (“Eu Sou o que Sou”), uma forma pessoal e direta do Criador, que não exigia recorrer a um termo genérico ou culturalmente influenciado.

O uso de Elohim em Gênesis 1:1–2:25 mostra que o autor reaproveitou conceitos culturais existentes, transformando a ideia de deuses ou divindades conhecidas (como El) na Divindade única de Israel, que age de forma majestosa e plena na criação. A pluralidade de Elohim indica que a criação é obra da plenitude da Divindade, com ação deliberada, organizada e cheia de propósito.

Do ponto de vista histórico-crítico, há indícios de que Gênesis 1:1–2:25 e os versículos posteriores, que passam a usar YHWH Elohim, possam ter origens em autores ou tradições diferentes. Essa variação de nome do Criador, estilo literário e foco teológico sugere que o texto foi compilado de tradições distintas, unindo a visão majestosa e universal da Divindade à visão pessoal e relacional com a humanidade.

Do ponto de vista teológico, é possível que o autor, ao usar Elohim, estivesse transmitindo a ideia de uma Divindade plural em ação, embora não haja como afirmar com certeza. Para a tradição cristã, isso poderia ser entendido como um reflexo da ação conjunta do Pai e do Filho na criação, mas o texto original permanece silencioso sobre essa especificidade. Tudo é possível dentro de uma leitura teológica cuidadosa, sem forçar conclusões que o texto não explicita.

Portanto, o uso de Elohim em Gênesis 1:1–2:25 e a mudança para YHWH Elohim nos versículos seguintes reforçam que o texto não poderia ter sido escrito por Moisés, que conhecia o Criador pessoalmente como Ehyeh/YHWH. O relato reflete uma intenção literária e teológica posterior, transmitindo a plenitude da Divindade em sua ação criadora, profunda e organizada, ao mesmo tempo que mantém um caráter relacional com a humanidade.

É possível que algumas tradições modernas chamem Gênesis 1 de “mito” por essa razão: ao traduzir Elohim como “Divindade” e reconhecer sua pluralidade, sugerem que o relato é simbólico ou narrativo, relativizando sua historicidade, mas sem compreender plenamente a profundidade teológica e literária que o autor original quis transmitir.


 

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